O debate parlamentar
em S. Tomé e Príncipe confirma a
importância de uma das minhas propostas
de mudança. Caríssimos leitores, é ou não urgente a aquisição de “Mochilas Homem-Jacto” para os
governantes viajantes?


No debate parlamentar sobre o Estado da nação são-tomense, o Primeiro-Ministro (PM), Patrice
Trovoada argumentou que o país "padece de inúmeros constrangimentos" resultantes das escolhas do passado.
Neste sentido, defende que São Tomé e Príncipe "precisa de avançar, precisa de transformação" e promete para
este ano "conquistas que contribuam
decisivamente para a resolução das
principais questões que condicionam o progresso económico, social e
cultural". Contudo, neste mesmo debate, Patrice Trovoada foi acusado, pelos deputados da
oposição, de realizar demasiadas visitas
ao estrangeiro. Segundo Vasco
Guiva, deputado do Movimento de Libertação de São Tomé e
Príncipe - Partido Social Democrata (MLSTP-PSD), o PM são-tomense realizou em
2015 um total de 58 viagens oficiais,
nas quais permaneceu fora, em média, 5
dias, o que dá um total de 290 dias
fora do país. O mesmo deputado calcula que o PM terá gastado mais de 40 mil milhões de dobras, o equivalente
a 1,8 milhões de euros. Vasco Guiva
questiona ainda se esse montante não poderia ser mais bem aproveitado em prol do desenvolvimento da nação, o que eu subscrevo por completo. Importa, contudo, assinalar que Patrice Trovoada refutou todas estas acusações, sendo importante que se investigue para apurar a verdade dos factos (RTP África, 06-01-2016; Sapo Notícias, 05-01-2016).
Com base nesta ordem de ideias, ficou provada, por um lado, a minha tese como Sociólogo/Politicólogo atento às realidades
africanas. Isto é, sempre fui da opinião que os argumentos, usado pelo PM
santomense para a elaboração do Orçamento
Geral do Estado ou “Orçamento
Participativo” no mês de Março de 2015, mereciam desconfiança, e não passavam de manobras políticas para ganhar tempo para a angariação de
apoios financeiros, por duas razões: primeira, é sabido que a esmagadora
maioria dos orçamentos dos Estados africanos depende das ajudas internacionais, e S. Tomé e Príncipe não
constitui excepção (só consegue autofinanciar 10% do seu orçamento); segunda, sendo
Patrice Trovoada o PM santomense pela
terceira vez, deveria ter já uma ideia
clara das necessidades básicas
do povo santomense (Jornal Digital, 09-01-2015; Mendes, 2010: 94-95; 2014: 425;
RDP África, 07-01-2016).
No Modelo
Político Unificador, aconselho, por
outro lado, o cumprimento de uma medida importante que deve constar
do Tratado Político de Governação «TPG» e que será fiscalizada
pelo Órgão de Especialistas ou a
Área de Estudo - Órgão Consultivo Multidisciplinar e Imparcial «AE-OCMI». Esta
medida diz respeito à fiscalização de membros do Governo –
Presidente da República, Primeiro-Ministro, Ministros, Secretários de Estado,
etc., – de forma a não viajarem para o estrangeiro, em menos de um ano após a tomada de posse com fundos de Estado, com justificações de
pedidos de ajudas internacionais, de receber aconselhamento para a boa
governação do país ou de fazer tratamentos médicos. Deve ser-lhes
exigida, antecipadamente, uma visita a nível nacional, para
constatarem a realidade do país, visto que acabam por conhecer melhor o
estrangeiro do que o próprio território nacional. A figura política em causa deve apresentar o conteúdo da sua
missão à AE-OCMI, de forma a contribuir para o diagnóstico das
necessidades mais urgentes (Mendes,
2010: 94-95; 2014: 424-425).
Nesta ordem
de ideias, e ironizando a situação,
penso que o Estado Guineense, Português e Santomense poderiam, com menos custo,
comprar uma ou duas “Mochilas
Homem-Jacto”, como forma de diminuírem
despesas desnecessárias nas inúmeras
viagens do enorme staff governamental
ou presidencial. No caso da
Guiné-Bissau e de S. Tomé e Príncipe as “Mochilas Homem-Jacto” poderiam ajudar
os governantes a visitarem o país com menos custos, evitar muitos trânsitos nas suas deslocações, escapar/fugir de perigos de golpes de Estado e poupar vidas dos guarda-costas quando houver problemas do género.
Como Sociólogo/Politicólogo africano/guineense, assumo a responsabilidade de enquadrar o
excelentíssimo PM santomense Patrice Trovoda para fazer parte desta “Caldeirada” Política dos governantes que mais têm viajado ao longo dos seus
mandatos (merecendo tanto «José Mário Vaz “Jomav” como Patrice Trovoada» o
título de “O Viajante”; enquanto Aníbal
Cavaco Silva receberia o título de “O Condecorador
Viajante”, por ser um dos Presidentes da República de Portugal
que mais condecorações fez ao longo dos seus mandatos). Importa, finalmente,
assinalar que, embora Cavaco Silva não tenha nunca visitado a Guiné-Bissau e S. Tomé e Príncipe enquanto PR, Jomav
e Patrice Trovoada já fizeram diversas
visitas ao PR de Portugal.
a
Para mais informações,
consultar o meu livro: Mendes, Livonildo Francisco (2015). Modelo Político Unificador – Novo Paradigma de Governação na
Guiné-Bissau (pp. 533-535). Lisboa: Chiado Editora.
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